Stanley Bittar fica proibido de fazer cirurgias por seis meses após denúncia de paciente no Acre

stanleyO Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) determinou, nesta quinta-feira (6), a interdição cautelar parcial do clínico geral Stanley Bittar. A medida foi tomada após a denúncia de uma paciente e, além disso, o médico, que se apresenta como cirurgião plástico, não possui qualificação para fazer os procedimentos.

Ele é diretor de uma clínica de estética e divulga os serviços como cirurgião geral. No perfil profissional na internet, ele também se apresenta como médico nutrólogo, mesmo sem a qualificação. No site do CRM, é possível consultar a condição atual do médico, que aparece “sem especialidades registradas”.

Conforme a decisão do conselho, ele está impedido de atuar na realização de cirurgias plásticas e também de fazer procedimentos médicos pré e pós operatórios pelo período de seis meses.

‘Precipitado’

O advogado de Bittar, Tobias Meirelles, disse ao G1 que vai recorrer da decisão do CRM, que considera precipitada e afirma que não não há denúncia de outros pacientes contra o médico que justifique a medida cautelar.

“A gente entende que foi precipitada essa decisão. A gente está entrando com mandado de segurança para derrubar essa liminar e estamos também fazendo um recurso junto ao CFM (Conselho Federal de Medicina)”, explicou.

Sobre as qualificações que o médico divulga sem tê-las, o advogado disse que não configura como exercício ilegal da profissão, porque qualquer médico com CRM pode atuar em qualquer especialidade.

Médico se apresenta como cirurgião plástico, mesmo sem ter a especialização  — Foto: Reprodução/Instagram

Médico se apresenta como cirurgião plástico, mesmo sem ter a especialização — Foto: Reprodução/Instagram

Necrose

A decisão do conselho ocorreu depois da denúncia de uma paciente que teve uma necrose após um procedimento cirúrgico. Em votação no conselho, o CRM decidiu por unanimidade suspender estas atividades do médico que está fora do estado.

“Essa decisão é absolutamente precipitada, porque o doutor Stanley não tem outras denúncias em relação a queixas de clientes. Então, eles pegaram a queixa de uma paciente e deliberaram dessa forma com uma cautelar interditando ele de realizar procedimentos cirúrgicos pré e pós operatórios”, disse o advogado.

A presidente do CRM, Leuda Dávalos, disse que a decisão do conselho foi unânime após apresentação e pedido de um conselheiro durante a última plenária realizada no dia 27 de janeiro.

“Recebendo denúncia, nós somos obrigados a abrir um procedimento e dependendo da denúncia e do que é provado, ele pode pedir sanções e, dessa vez, o conselheiro solicitou a interdição parcial para procedimentos cirúrgicos. Ele pode exercer a medicina. Só não pode fazer cirurgia”, explica a presidente do CRM.

Além disso, Leuda diz que é preciso ter uma preocupação com a população e os profissionais devem assumir os riscos quando ocorrem denúncias.

“A gente tem que se preocupar também com a população. O conselho não pode ser omisso diante de denúncias graves como essa que aconteceu. O médico tem que estar preocupado com a sociedade, com o serviço que ele vai prestar. As pessoas, às vezes, procuram procedimentos estéticos para melhorar a autoestima, a aparência, seja ela qual for que está lhe incomodando. Então, o médico não pode prejudicar essa pessoa. Ela vai em busca de melhora”, conclui.

Assumiu riscos

A presidente diz que o médico com CRM pode sim exercer a profissão em áreas nas quais não é especialista, porém, deve estar capacitado tecnicamente para exercer o cargo.

“O médico com CRM pode atuar em qualquer área que quiser e que se sintam habilitado para isso, porém, ele tem que assumir os riscos de atuar em uma área que ele ainda não é especialista e foi o que aconteceu. O Stanley estava fazendo procedimentos relacionados a cirurgia plástica, ele assumiu os riscos”, disse.

Além disso, Leuda disse que o médico foi orientado quanto as publicidades.

“As publicidades são bastante restritas. Você não pode expor paciente, não pode colocar imagem de antes e depois, não pode anunciar um título de uma especialidade para a qual não tem comprovação. Você não pode anunciar, por exemplo, que é ginecologista, se não tem especialização. Pode atuar, mas não pode anunciar, ele foi orientado em relação a isso”, pontua.

Outras polêmicas

Esta não é a primeira polêmica em que o médico se envolve. Em 2015, ele enfrentou problemas com clientes de uma clínica de procedimentos estéticos que fechou.

A clínica Emagrecentro, que ele era dono, e muitos alegaram terem sido lesados porque pagaram pacotes e não tiveram o serviço prometido. O Ministério Público do Acre (MP-AC) na época pediu que todos oficializassem a reclamação junto ao órgão.

Na época franquia a franquia nacional disse que a empresa não tinha autorização para usar a marca desde maio de 2013, já que a clínica não fazia mais parte da rede.

Médico Stanley Bittar não tem especialidades registradas no CRM  — Foto: Reprodução/CRM

Médico Stanley Bittar não tem especialidades registradas no CRM — Foto: Reprodução/CRM

As informações são do G1 AC.