Quadrilha desviou mais de R$ 1,2 milhão do PROACRE

Esquema desviava verbas destinadas pelo Proacre para investimentos em educação nos municípios

Cerca de 80 policiais civis participaram da ação realizada na quarta-feira (4) para o cumprimento de 3 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Rio Branco.

Foram presos a secretária municipal de saúde de Porto Walter, Ivânia Ferreira da Silva (foto), o assessor dela, Rivelino Silva Guedes e Márcio Klinger, ex-coordenador do Proacre que é considerado pela polícia como mentor do esquema. As prisões são temporárias com validade para cinco dias, podendo ser prorrogadas pelo mesmo período.

Durante as buscas os policiais apreenderam documentos, computadores, notebooks, pendrives e outros equipamentos que podem servir de provas contra a suposta quadrilha. Pelo menos três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em locais isolados como fazendas, onde o acesso só é possível de barco. A Polícia Civil levantou informações de que nesses locais poderiam estar escondidos provas contra os suspeitos.

A Operação Limpidus da Polícia Civil foi deflagrada há seis meses e vinha investigando fraude em licitações que facilitavam o desvio do dinheiro, que deveria ser aplicado na educação. A quadrilha inclui além de servidores públicos, empresários e pessoas da comunidade.

Segundo o delegado Nilton César Boscaro, que comandou a operação, os documentos e materiais apreendidos serão periciados e as investigações terão prosseguimento.

 

Assessoria da Polícia Civil informa como funcionava o esquema

Após visitar Porto Walter, o então coordenador do Proacre, Márcio Klinger, se deslocou ao município de Marechal Thaumaturgo em meados do ano de 2009 para realizar um ciclo de reuniões com o intuito de explicar como funcionaria os tramites legais para liberação das verbas do Proacre.

Após algumas reuniões foi iniciado o processo licitatório que segundo lecionava Márcio Klinger seria realizado em tese pelos conselhos escolares, contudo, após uma tentativa frustrada, ele decidiu aliciar servidores do município, pois se não conseguisse realizar o procedimento a verba não poderia ser liberada, bem como, necessitaria de funcionários públicos municipais aliados para realizar os desvios dos recursos.

Nessa etapa entraram em cena a secretaria de educação do município de Marechal Thaumaturgo, representada Sandra Pinheiro de Azevedo, a responsável pela comissão de licitação da prefeitura, Kelen Guereti Sarah Messias, o responsável pelo setor de finanças da prefeitura, Pedro Oliveira Lima, o advogado da prefeitura, Emerson Soares Pereira e vários empresários, formando duas quadrilhas que agiam nas duas cidades, mas fundiam as ideias na hora de executar o desvio.

As licitações foram iniciadas no município de Marechal Thaumaturgo e após a divulgação do edital houve a realização de um processo licitatório sediado na comissão de licitação da própria prefeitura, contudo, já havia nesse momento um “esquema” predefinido para que as licitações fossem rateadas entre os empresários.

Fonte: Juruá Online

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