Meninos da Floresta: Tião Viana e Jorge Viana (PT) receberam proprinas milionárias em 2010, afirma Marcelo Odebrecht

tiaojorgeO governador do Acre, Tião Viana (PT), é investigado em inquérito autorizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Sebastião Afonso Viana Macedo Neves será investigado junto com seu irmão, Jorge Viana (PT), senador, ex-governador do Acre e ex-prefeito de Rio Branco.

A PGR fez o pedido com base nas delações dos ex-executivos da Odebrecht. Fachin autorizou inquéritos para investigar 8 ministros, 24 senadores, 39 deputados e 3 governadores.

Segundo o Ministério Público, o senador Jorge Viana pediu dinheiro para campanha eleitoral de seu irmão, Tião Viana, ao governo do Acre, em 2010. Os delatores Hilberto Mascarenhas e Marcelo Odebrecht disseram na delação da empreiteira que repassaram R$ 2 milhões à campanha de Tião Viana, sendo R$ 500 mil como doação oficial.

Os delatores afirmaram que o valor foi descontado da cota global do Partido dos Trabalhadores (PT), o pagamento contou com a anuência de Antônio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, e o pagamento foi efetuado pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, mais conhecido como “setor de propinas” da empreiteira, com a utilização de offshores. O apelido utilizado pela Odebrecht foi “menino da floresta”.

Em nota, o governador do Acre, Tião Viana (PT), afirmou ter “um histórico de combate à corrupção como ativista político, senador da República e governador do Acre” e disse defender “a apuração de qualquer fato suspeito e a punição de qualquer um que tenha culpa provada”. “Tenho integridade, coerência e coragem para não aceitar a sanha condenatória de setores poderosos que destroem reputações tomando apenas a delação interessada de corruptos apanhados no crime”.

Segundo a PGR, “‘a existência de fatos que, em tese, amoldam-se à figura típica contida no artigo 350 do Código Eleitoral”.

Veja a íntegra da nota do governador do Acre, Tião Viana (PT):

Neste momento dantesco da vida nacional, parece que nenhuma linha fina separa a honra da desonestidade. Tenho um histórico de combate à corrupção como ativista político, senador da República e governador do Acre. Defendo a apuração de qualquer fato suspeito e a punição de qualquer um que tenha culpa provada. Portanto, também tenho integridade, coerência e coragem para não aceitar a sanha condenatória de setores poderosos que destroem reputações tomando apenas a delação interessada de corruptos apanhados no crime.

Sobre a construtora Odebrecht, afirmo nunca realizou qualquer obra no Estado do Acre, portanto, nem sequer poderia ter aqui qualquer tipo de interesse escuso ou legal. Nunca me reuni com o senhor Marcelo Odebrecht, com nenhum executivo da sua empresa nem de qualquer outra envolvida na Operação Lava a Jato.

Outra canalhice já tentou envolver o meu nome em ataque semelhante, mas o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a minha inocência por unanimidade e a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento do caso.

As contas das minhas campanhas são públicas e foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Confio na Justiça, defenderei a minha honra com determinação e tomarei todas as medidas judiciais cabíveis contra os delatores da calúnia e os propagandistas da desonra. Indignado, mas de consciência tranquila, reafirmo: estou longe dessa podridão, essa podridão está longe de mim.

Tião Viana

Governador do Estado do Acre

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