Legalização do jogo: um cassino em Rio Branco?

casinosA legalização do jogo e dos cassinos poderá estar para muito breve. Depois de vários anos de discussão, a votação final poderá ser feita ainda esse ano. Existem algumas vozes contra, nomeadamente a “bancada religiosa” do Senado, e também outras opiniões, como dos juízes e dos Procuradores da República. Para estes últimos, a interferência do crime organizado é uma preocupação, com a perspectiva de utilização para lavagem de dinheiro. Mas para todos parece existir, acima de tudo, uma preocupação moral, colocando o jogo ao nível de outras questões ideológicas e morais como o aborto.

Contudo, o consenso na classe política parece ser muito grande. Diz-se que o próprio presidente Temer, apesar de procurar se manter discreto sobre o tema, secretamente apoia a medida e a respetiva arrecadação de dinheiro para os cofres públicos. Em Porto Alegre/RS parece que já tem mesmo em construção edifícios de bingo e máquinas de caça-níquel que só estarão esperando a aprovação final para começarem funcionando imediatamente. As receitas estimadas são de perto de R$20 bilhões, a dividir entre o governo federal, os estados e os municípios.

Um cassino no Acre?

Uma das propostas de projeto de lei prevê que o jogo do bicho seja liberado em todo o território nacional, que só as maiores cidades possam ter bingo e que exista um limite de cassinos em cada estado, que poderia ser 2 a 3.

Os grandes estados do Sudeste não estão nem aí para os efeitos positivos que o jogo pode ter no resto do país. Ricardo Omori, presidente da ABIH/SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo), falou em uma conferência que o Brasil deveria adotar o modelo de hotel cassino, ou seja, integrado em resorts de turismo de alto luxo, e que S. Paulo é indicado para esse tipo de modelo e de turismo. Ele utilizou mesmo essas palavras: “Nada contra o Acre ou Roraima, mas será que eles têm a mesma relevância que o estado de São Paulo ou destinos consagrados de turismo no Brasil?”

No momento atual, certamente que não, mas um cassino pode precisamente ter um efeito inovador para o turismo local, ser o “motor” para desenvolver uma indústria nova. Ninguém diz que o Acre poderia atrair um grande número de jogadores estrangeiros, mas o turismo é quase sempre uma indústria que complementa a atividade econômica de uma cidade ou região, e não sua atividade principal. O Acre também merece receber turistas e impostos, gerados por um cassino.

De qualquer forma, se Rio Branco não vier a receber um cassino, ou se por algum motivo o projeto de lei voltar atrás (seria uma ducha de água fria para os investidores gaúchos!), você terá sempre a internet para acessar jogos de cassino online, incluído cassino ao vivo. E esses continuarão a ser acessados livremente.