Enchente 2017: Rio Juruá provoca desbarrancamento e ameaça isolar cidades no Acre

cheia-rodrigues_alvesAlém de todos os transtornos já provocados, a enchente histórica do Rio Juruá, no interior do Acre, agora ameaça isolar os municípios de Rodrigues Alves e Mâncio Lima. Isso porque as águas do manancial têm causado um desbarrancamento que já destruiu metade da via de acesso ao porto de Rodrigues Alves. Nesta quinta-feira (2), o nível do rio chegou a 14,24 metros, muito acima da cota de transbordo, de 13 metros.

O porto vem sendo utilizado como alternativa de acesso dos moradores dos dois municípios desde que as águas de outro rio, o Moa, invadiram a rodovia intermunicipal AC-405, provocando a interdição do tráfego para carros pequenos e motocicletas. Apenas caminhões seguem transitando normalmente na pista que teve 300 metros cobertos pelo rio.

Um equipe do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) foi enviada ao local para tentar conter o problema.

“A situação do acesso ao porto está controlada. Estivemos lá hoje [quinta-feira, 2] e iniciamos o alargamento da via juntamente com a prefeitura para garantir a segurança dos veículos que passam por ali. Estamos com restrições na AC-405 e se o nível do rio continuar subindo teremos que interditar a via. Manteremos o monitoramento das vias para evitar qualquer situação mais grave”, salienta o gerente do órgão na região, Josinaldo Batista.

A situação, entretanto, ainda causa preocupação aos moradores, como o conselheiro tutelar Orleildo Bussons, de 27 anos. “Espero que as autoridades tomem uma providência urgente para evitar que a estrada seja destruída pelo rio. Esse acesso dá problema todos os anos. É preciso que as pessoas façam um trabalho de boa qualidade mudando o trajeto de acesso ao porto”, afirma.

Já o agricultor Ronaldo Pereira, de 46 anos, que vive em Mâncio Lima diz que ficou impressionado com o desbarrancamento. “Passei por lá e quando me aproximei fiquei com medo. O rio já destruiu uma grande parte da estrada. Nós que moramos em Mâncio Lima não estamos podendo usar a AC-405. Se o porto de Rodrigues Alves ficar isolado como vamos fazer para chegar até Cruzeiro do Sul”, questiona ele.

Equipe do Deracre foi enviada ao local (Foto: Orleildo Bussons/Arquivo Pessoal)Equipe do Deracre foi enviada ao local (Foto: Orleildo Bussons/Arquivo Pessoal)

Cheia histórica
Com a cheia histórica do Rio Juruá, interior do Acre, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (1) que deve prestar apoio e assistência às famílias atingidas pelas águas do manancial.

A última grande cheia foi registrada em 1995, quando o nível do rio atingiu a marca de 14,18 metros. Ao todo, são 553 famílias retiradas de suas casas, sendo que 85 estão em três abrigos montados em Cruzeiro do Sul. A previsão do Corpo de Bombeiros da cidade é que o nível do rio se estabilize, porém, para que o nível diminua é preciso que as chuvas deem uma trégua.

O Ministério da Integração divulgou em nota que disponibilizou uma equipe – formada por servidores da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) –  para avaliar medidas de apoio às famílias. O anúncio foi feito pelo Ministro da Integração, Helder Barbalho.

O ministro afirmou ainda, em reunião com a parlamentares do estado, que deve ir ao Acre para sobrevoar as regiões afetadas pela enchente. A visita está prevista para ocorrer até a próxima sexta-feira (3).

Situação de Emergência
O prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, assinou o decreto de emergência ainda no sábado (28), quando o Rio Juruá chegou a 13,62 centímetros. Na ocasião, foi feita uma reunião entre representantes da Defesa Civil e do município e a previsão já era que o rio atingisse a cota histórica. O decreto foi publicado no Diário Oficial da terça-feira (31).

Morte de pescador
A correnteza do rio também acabou vitimando o pescador Edimar Pereira da Costa, de 46 anos, que caiu no Rio Juruá ao tentar jogar uma tarrafa para pescar em Cruzeiro do Sul. O corpo também estava preso a um pedaço de tronco. Na manhã desta terça (31), a irmã falou com o G1 e contou que o pescador era experiente e que não sabia o que havia acontecido.

“O que a gente sabe é que ele tava em uma parte seca do rio, na margem. Ele jogou três lances e no último sentiu a tarrafa pesada. Parece que tinha alguma uma coisa puxando ele e a tarrafa estava amarrada no braço dele. Ele caiu no rio e só foi possível ver as chinelas e o chapéu boiando”, disse.

As informações e imagens são do G1 Cruzeiro do Sul e Região, por Adelcimar Carvalho.

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