Emagrecedor Botanical, suspeito de causar mortes no Acre, tem venda livre na fronteira

botanicalContrabando e consumo da droga está fora de controle no Estado; usuários aplaudem o “custo-benefício” em anúncios nas redes sociais

Uma cabeleireira morreu seis meses atrás em decorrência do uso do emagrecedor Botanical. A mulher, que morava no conjunto habitacional Universitário I, em Rio Branco, sofreu infarto fulminante. “Ela não era gorda, mas tomar essa coisa está na moda”, disse uma amiga, que preserva o nome da vítima e pediu para não ser identificada. A segunda vítima da substância, que ataca o coração e os rins, foi a funcionária pública Sirlene Dantas, que morreu no sábado.

A aquisição do emagrecedor Botanical em Cobija, capital do departamento boliviano de Pando, a 230 quilômetros de Rio Branco, está fora de controle. E não há controle possível. A compra em qualquer quantidade configura tráfico internacional de drogas, alerta o farmacêutico João Vitor, da Vigilância Sanitária do Acre, e serve para todas as substâncias comercializadas de forma clandestina.

“Conheço muita gente que usa. Eu sempre digo que isso faz mal ao coração. As pessoas continuam usando”, testemunha a coordenadora da Vigilância Sanitária, Albertina Maria, que aguarda autorização superior para emitir uma nota de alerta à população.

“A compra (do Botanical) é muito pessoal. Na fronteira, a venda é liberada, não apenas em Cobija, mas também em Plácido de Castro e Capixaba. A origem do remédio geralmente é desconhecida. Não dá pra saber se os componentes descritos no rótulo são fiéis”, alerta o farmacêutico. “A bula sempre é escrita em outra língua. Numa compra maior, o usuário estará sujeito ao crime de contrabando”, explica.

O produto é revendido nas redes sociais. Há várias páginas com perfis do Botanical Slimming no Facebook. Seguidores de vários estados, incluindo o Acre, aplaudem o “custo-benefício” da droga.

Os anúncios dão credibilidade à fábrica State Food And Drug Administration, que, em português, significa Administração Estatal de Alimentos e Drogas, com matriz em Pequim, capital da China. Contudo, não esclarecem se o uso do emagrecedor é autorizado no Brasil.

O site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informa sobre uma cooperação com a mesma indústria chinesa na área da saúde, ocorrida em 2010. O composto Botanical não está listado como medicamento autorizado para uso em território brasileiro.

Cilada

A vasta propaganda, até mesmo no Mercado Livre e em grupos fechados no Whatsap, prioriza informações atrativas aos obesos, o que, na opinião de autoridades de saúde, é uma cilada que pode custar a vida de muitas pessoas – a droga é vendida como acelerador do metabolismo, redutor da absorção de gordura, garantidor de saciedade e controlador da ingestão dos alimentos, além de suavizador do intestinos.