Com guerra de facções, quase 200 presos não voltam para cadeia no Acre

papudinhaDesde outubro, Rio Branco tem registrado várias ondas de ataques e execuções devido à uma guerra de facções que se instalou no estado. A unidade prisional, conhecida como Papudinha, UP4, tem sofrido algumas retaliações. Em outubro, um grupo criminoso invadiu a unidade e tentou matar presos que voltavam para dormir na cadeia.

Atualmente, o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) contabiliza 356 presos que passam o dia fora do presídio trabalhado e à noite retornam para dormir na UP4. Aos domingos, eles são liberados para ficar com as famílias. Porém, segundo o diretor da unidade, Denis Picolo, há uma semana 196 presos não retornaram para a unidade prisional.

“Desde quinta-feira [1], quando começaram as ameaças de chacina, estamos nessa situação. Começaram faltando 80 e agora só voltaram 160 para dormir na unidade. Acredito que os outros não voltaram para dormir porque devem estar ligados a algumas das facções que estão em guerra”, explica Picolo.

Ele diz ainda que na quarta (7), o sistema já considerou mais de 80 presos foragidos da Justiça. O diretor explica que eles devem voltar para o regime semiaberto e aguardar uma audiência, onde devem justificar a evasão.

Entenda o caso
No sábado (3), os presos do semiaberto foram liberados após o diretor da unidade receber a informação de que haveria uma chacina na unidade.

“Chegaram várias informações ao mesmo tempo de que eles iam fazer uma chacina lá dentro do presídio. E aí, por bem, solicitei à juíza Luana Campos, da Vara de Execuções Penais, para liberar os presos no sábado. Por volta das 20h eles foram liberados para se pensar em uma saída para ver essa crise e essa guerra que está acontecendo entre eles”, afirmou o diretor na época.

No dia seguinte, a guerra entre as facções foi marcada com mortes, esquartejamentos e decapitações, que foram gravadas e publicadas nas redes sociais.

Monitoramento eletrônico
A Vara de Execuções Penais informou, nesta quinta-feira (8), que estuda uma forma de fazer com que todos os presos do semiaberto sejam monitorados por tornozeleira eletrônica e não precisem voltar para dormir na UP4.

A juíza Luana Campos acredita que essa é a maneira mais eficaz de fiscalização e que é uma forma de ter o controle do preso. O diretor do Iapen, Martin Hessel, informou que ainda está em tratativas com a empresa que fornece o dispositivo para o Estado.

Onda de execuções
A capital acreana vive dias de violência devido à uma guerra entre facções rivais. Desde o último sábado (3) até a noite desta terça-feira (6), foram registrados nove casos de homicídio. Entre eles, três vítimas foram filmadas sendo decapitadas e esquartejadas. Os vídeos foram parar nas redes sociais.

As primeiras três mortes foram registradas no sábado. O pintor Francisco da Silva Amorim, de 24 anos, foi executado a tiros no bairro São Francisco. O segundo caso ocorreu na Avenida Antônio Pessoa Jucá, no bairro Tancredo Neves, também na tarde de sábado.

O adolescente Renan da Silva Nascimento, de 15 anos, foi atingido por ao menos três tiros e não resistiu. Após ser atingido pelos disparos, o jovem entrou em um comércio. Um outro jovem que estava com Nascimento, de 25 anos, também foi baleado, mas se evadiu do local.

Ainda no sábado, por volta das 18h, no bairro Chico Mendes, ocorreu o terceiro homicídio. Desta vez, a vítima foi o jovem Eliel Carvalho da Silva, 20 anos. Silva foi morto com cerca de três tiros.

O estudante Natanael Vitor Aguiar da Silva, de 16 anos, foi morto a tiros na noite do domingo (4), no Conjunto Esperança, em Rio Branco. Segundo familiares, o adolescente estava em frente à casa de um amigo quando ao menos dois homens chegaram e efetuaram os disparos. Ele morreu ainda no local.

Na noite de segunda, o ajudante de pintor Carlos Henrique da Silva, de 22 anos, foi morto com cinco tiros, no bairro Cidade Nova. O último homicídio registrado foi o do jovem Elissandro da Silva Afonso, de 20 anos, morto com um tiro na cabeça, por volta de 23h de terça (6), no bairro Alto Alegre. O delegado Roberth Alencar disse que ouviu testemunhas e familiares sobre o caso. Ele acredita que uma dívida de droga pode ter motivado o crime.

As informações e imagem são do G1 AC, por Tácita Muniz.

Comments are closed.