Atlas da Violência: Estudo revela que mortes por arma de fogo crescem 352% no Acre

mapaDrogasAcre teve um crescimento de 352% no número de homicídios por arma de fogo entre 2006 e 2016. Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (5) no Atlas da Violência 2018.

O estado teve o segundo maior crescimento do país, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, cujo aumento de 412%. Enquanto em 2006, foram 50 mortes, em 2016 foram registradas 226 homicídios com o uso de armas de fogo.

Pela primeira vez na história, o Brasil atingiu a taxa de 30 assassinatos para cada 100 mil habitantes. O levantamento é elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados do Ministério da Saúde.

O levantamento mostrou ainda o Acre como o quarto da federação com a maior variação no número de homicídios registrados em dez anos. Entre 2006 e 2016, o número de mortes aumentou em 129,7%.

Em 2006, no Acre, o número de pessoas mortas de forma violenta era 158. Esse número subiu para 363 dez anos depois. Ainda segundo o balanço, as mortes violentas aumentaram em 67,3% entre 2015 e 2016. O ano que o Acre registrou menos homicídios foi em 2008, com 133.

Conforme os dados, em um ano, o número de mortes por arma de fogo cresceu 94,8%. Em 2016 foram registrados 116 casos e no ano seguinte, foram 226 homicídios.

Nos últimos 10 anos, o ano que menos registrou casos de homicídios por armas de fogo foi 2008, quando foram registrados 40 casos. Depois de 2011, quando 50 pessoas foram vítimas de tiros, os casos foram crescendo de forma alarmante, segundo o levantamento.

Número de homicídios no Acre aumentou quase 130% em dez anos, aponta levantamento (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Número de homicídios no Acre aumentou quase 130% em dez anos, aponta levantamento (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)

Em 2016, quando foram registrados mais de 300 mortes, o estado acreano chegou a ter cinco mortes no período de 48h. Na época, a Secretaria de Segurança do Acre afirmou que as facções estavam disputando pontos de vendas de drogas. Com isso, mortes com sinais de execuções eram frequentes no estado.

O secretário de Segurança Pública do Acre, Vanderlei Thomas, disse que as organizações criminosas disputam pontos de vendas de drogas, o que gera execuções de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, mas também de pessoas inocentes.

“Essa busca é justamente para uma rota alternativa do tráfico de drogas. Em 2016 se deu aquela situação no Mato Grosso, em que o traficante Jorge Rafaat foi morto e uma organização criminosa passou a dominar aquela entrada no Brasil. As outras organizações tiveram que buscar outros locais e é isso o que está acontecendo no Acre hoje. O território está sendo disputado e os índices se elevaram eventualmente”, falou Thomas.

As informações são do G1 AC, por Iryá Rodrigues.