Após execuções em Rio Branco, 400 presos são liberados de presídio

Presos da Papudinha são liberados para dormir fora do presídio até sexta-feira (21) (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)Direção da unidade UP4 diz que liberação foi ‘por medida de segurança’. Presos foram liberados na noite deste sábado (3) da Papudinha.

Após três execuções na capital acreana, Rio Branco, mais de 400 presos do regime semiaberto foram liberados, na noite deste sábado (3), da UP4, unidade prisional conhecida como Papudinha. De acordo com a direção do presídio, o pedido de liberação foi feito à juíza da Vara de Execuções Penais, Luana Campos, foi “por medida de segurança”.

Os presos da UP4 são do regime semiaberto e saem durante o dia, retornando à noite para dormir na cadeia. Com a medida, os detentos só devem retornar para a unidade nesta segunda-feira (5).

O diretor da Papudinha, Denis Picolo, afirmou ao G1 que chegaram várias informações e ameaças de que pudesse ocorrer uma possível chacina dentro da unidade e que, portanto, decidiu se antecipar e solicitar a liberação dos presos. Segundo ele, atualmente, a segurança do presídio é feita por oito ou dez agentes penitenciários.

“Chegaram várias informações ao mesmo tempo de que eles iam fazer uma chacina lá dentro do presídio. E aí, por bem, solicitei à juíza Luana Campos, da Vara de Execuções Penais, para liberar os presos no sábado. Por volta das 20h eles foram liberados para se pensar em uma saída para ver essa crise e essa guerra que está acontecendo entre eles”, afirmou o diretor.

Picolo disse ainda que recebeu denúncias, inclusive, de que existem armas de fogo dentro da unidade. O diretor afirmou que uma reunião deve ser realizada nesta segunda-feira (5) para definir uma estratégia em buscar uma “solução imediata”. Uma ideia, segundo ele, é colocar sistema de monitoramento com tornozeleira nos presos para tirá-los do presídio.

“Hoje temos 412 presos e não tem como colocar agentes penitenciários dentro dos alojamentos. Se começar uma matança dentro dos alojamentos eu não tenho esse controle, porque são mais de 400 presos e tenho oito ou dez agentes para fazer a segurança. A liberação foi por uma medida de segurança dos próprios presos e dos servidores da unidade”, finalizou.

Na última quinta (1), ao menos 86 presos não retornaram à Unidade Prisional 4 (UP4), segundo a direção. Na época, o diretor do presídio informou que uma briga entre facções seria o motivo de os detentos não terem ido dormir na unidade prisional.

Um grupo criminoso, segundo ele, teria dado ordens ao outro para não dormirem no local, pois seriam mortos. O diretor afirmou que a média de faltas diárias é de 18 a 25 presos. De acordo com o diretor, os presos podem sofrer sanções por violar as determinações estabelecidas por lei.

Emboscada
A briga entre facções no Acre deixou vários mortos este ano, além de prejuízos devido a ataques criminosos. No dia 18 de outubro presos da UP4 sofreram uma emboscada na entrada da unidade. Na ação, ao menos um preso teria sido ferido e mantido dentro de uma das salas da instituição sendo protegido por agentes.

Após a invasão, a juíza Luana Campos e os órgãos de Segurança do Acre, definiram que 380 detentos da UP4 seriam liberados. Os presos do regime semiaberto voltaram a pernoitar na unidade somente uma semana depois.

As informações são do G1 AC por  Iryá Rodigues e Janine Brasil.

Comments are closed.